Levantamento do Instituto (francês) IPSOS mostra Lula na dianteira com 34 % de apoio, mas rejeição enorme de 64%. Comentário do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial: “… “dois de cada três brasileiros querem vê-lo pelas costas”.

Passado, presente e futuro (editorial do ESTADÃO, edição desta segunda)

A decepção dos brasileiros com a política é uma péssima notícia porque coloca em risco o futuro da democracia e da liberdade no País (O Estado de S. Paulo)

Monitoramento mensal de opinião relativo a abril realizado pelo Instituto Ipsos revela que é preocupantemente crescente o desencanto e a desconfiança dos brasileiros em relação aos políticos e, por extensão, à política. Nesse contexto, dois dados são particularmente significativos: a desaprovação ao presidente Michel Temer atingiu o índice de 87%, enquanto a aprovação popular do governo – que em seu melhor momento era de 31% em outubro do ano passado – despencou para 10% em abril, depois de ter registrado 17% em março.

Por outro lado, o ex-presidente Lula, embora conte ainda com o apoio de 34% da população, tem um índice de 64% de rejeição, o que significa que dois de cada três brasileiros querem vê-lo pelas costas.

Essa pesquisa, cujo resultado foi antecipado pelo jornal Valor, não procura traduzir tendências eleitorais, mas avaliar o estado de espírito dos cidadãos em relação à conjuntura política. É claro que essa sondagem dá margem a especulações sobre tendências eleitorais, mas, como o escopo da investigação não é esse, a base para prognósticos torna-se tecnicamente menos segura do que aquela proporcionada por pesquisas efetivamente voltadas para o resultado das urnas.

A decepção dos brasileiros com a política é uma péssima notícia porque coloca em risco o futuro da democracia e da liberdade no País. Mas é perfeitamente compreensível o efeito devastador sobre as convicções democráticas do cidadão brasileiro causado pelo desnudamento do estado de putrefação em que se encontra o nosso sistema político.

Tornou-se evidente que a gestão da coisa pública, em todos os âmbitos, foi corrompida pela ambição desmedida do projeto de poder do PT, ajudado, no assalto aos recursos públicos, por maus políticos de todas as extrações, acumpliciados com bandidos de colarinho branco que enriquecem à custa de trambiques com os cofres públicos e da desmoralização da iniciativa privada e da economia de mercado.

Neste momento em que toda a nação brasileira e suas lideranças políticas deveriam estar solidariamente concentradas no enorme desafio de conquistar a confiança interna e externa na recuperação da economia, na criação de empregos e na retomada de investimentos estruturais voltados para o desenvolvimento social – não como dádivas dos poderosos, mas como conquistas da sociedade –, as forças do atraso se aliam, a pretexto de defender os “interesses dos trabalhadores”. Pois são esses trabalhadores que vão ficar sem aposentadoria a médio prazo, se aqueles que hoje os “defendem” lograrem impedir ou esvaziar a reforma previdenciária que o País reclama há décadas.

Nesse contexto, considerando também sua própria origem política e a de seus principais auxiliares, dá para compreender a crescente rejeição popular a que o presidente Michel Temer está exposto. O PMDB, por “pragmatismo”, foi o principal aliado do lulopetismo durante a maior parte dos 13 anos em que Lula e sua tigrada estiveram no poder.

Hoje, Dilma Rousseff sofre uma enorme rejeição: 77%, apesar de choramingar pelos cantos que foi vítima de um “golpe”. Um país que agora rejeita tão claramente o PT dificilmente poderia ter boa vontade com um governo que até um ano atrás era corresponsável pela catástrofe provocada pela soberba e incompetência da pupila de Lula.

Até porque os principais figurões deste governo também estão envolvidos até o pescoço com denúncias de corrupção. Além disso, um governo é sempre avaliado com base na percepção que o cidadão tem do presente e do passado. Michel Temer, por enquanto, só pode oferecer – e, justiça seja feita, está empenhado nisso – a perspectiva de um futuro melhor.

De qualquer modo, não deixa de ser um consolo saber que os brasileiros não estão dispostos a retornar ao passado. Mas o futuro depende daquilo que for construído hoje.

Sérgio Moro é o nome mais bem avaliado (IPSOS)

O Levantamento da IPSOS de abril foi realizada com 1.200 pessoas, em 72 municípios, entre 1.o e 12 de abril, — antes, portanto, das delações da Odebrecht. (A margem de erro, segundo o intituto é de 3 pontos).

No quesito desaprovação Lula aparece com enorme rejeição de 64%. Abaixo dele surge Marina Silva, com 58%. Jair Bolsonaro tem 48%, enquanto João Doria aparece com apenas 40% (mas é desconhecido por 45% dos brasileiros). Segundo o instituto de pesquisa esta é a maior taxa (de desconhecimento) entre os possiveis candidatos à presidência.

No ranking de aprovação (em abril, antes das revelações do caso Odebrecht), surge em primeiro lugar o nome do juiz Sérgio Moro, com 64%. Em segundo lugar vem o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, com 47%. Entre os presidenciáveis, o ranking de aprovação fica assim: Lula em primeiro lugar (com 34%), seguido por Marina (24%), Serra (18%), Alckmin e Doria (14%), Ciro (11%), Aécio e Bolsonaro (9%).

(Publicado pelo jornal Valor Econômico, no dia 24 de março de 2017).

Ipsos: Temer precisa subir sua aprovação acima dos 40% se quiser governar (Abril, 2016)

Pesquisa Ipsos aponta que 62% dos brasileiros reprovam o vice-presidente; apesar do alto índice, Temer vem ganhando popularidade nos últimos meses

O alto número de brasileiros que reprovam a forma de atuar do vice-presidente Michel Temer pode dificultar a governabilidade do peemedebista. Levantamento da empresa de pesquisa Ipsos mostra que 62% dos brasileiros reprovam a atuação de Temer. Os dados constam na pesquisa “Pulso Brasil” da Ipsos, que ouviu 1.200 pessoas entre 1º e 8 de abril em 72 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

Modelo global de análise de governabilidade da Ipsos mostra que um governo precisa ter ao menos 40% de aprovação popular se quiser passar leis e reformas. “Historicamente, a opinião pública é o capital político de um governante. É isso que ajuda um governo a conseguir maioria no parlamento e a passar leis e reformas. Em nosso modelo de análise global, vemos que 40% de aprovação é o patamar mínimo para um governo aprovar reformas. Sem atingir isso fica muito difícil governar”, afirma Alexandre de Saint-Léon, CEO da Ipsos no Brasil.

Apesar do alto índice de reprovação, a popularidade do vice-presidente vem subindo. A aprovação a Temer cresceu 18 pontos percentuais de fevereiro a abril, saltando de 6% para 24%. No mesmo período, o desconhecimento em relação ao vice-presidente caiu de 33% para 14%.

“Temer conseguiu reverter o desconhecimento em relação ao seu nome em aprovação e desvincular sua imagem da figura pública da presidente Dilma. Seu índice de desaprovação ainda é alto e se manteve praticamente estável. Era 61% em fevereiro e é 62% em abril. Mas a desaprovação em relação a qualquer político é alta entre os brasileiros”, afirma Alexandre de Saint-Léon, CEO da Ipsos no Brasil.

Outro nome cuja aprovação disparou foi Marina Silva. A taxa de desconhecimento da ex-candidata caiu de 21% para 8% e o conhecimento subiu de 27% para 48% em dois meses.  “Em ambos casos, vemos que o posicionamento que Marina e Temer assumiram nas últimas semanas está tendo um impacto positivo na imagem deles. A questão agora é ver como conseguirão sustentar essa tendência,” complementa de Saint-Léon.

Rejeição é alta entre políticos; Marina é exceção

Os principais políticos brasileiros estão com alto índice de rejeição. Nenhum nome tradicional que já tenha ocupado ou ocupe cargos no executivo ou legislativo conquistou mais de 50% de aprovação. Os nomes com maior desaprovação são o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (68%), o presidente da Câmara Eduardo Cunha (65%), o presidente do Senado Renan Calheiros (65%), o vice-presidente Michel Temer (62%) e o senador Aécio Neves (59%).

Numa eventual antecipação das eleições presidenciais, o nome mais bem cotado seria o de Marina Silva.  A ex-candidata tem a maior taxa de aprovação (48%), seguida pelo deputado federal Tiririca (43%). Em terceiro lugar entre os com maior aprovação aparecem os senadores tucanos Aécio Neves e José Serra, com 31%. Lula e o deputado Celso Russomano aparecem em quarto lugar, ambos com 29% de aprovação. O quinto político com maior avaliação positiva é o deputado Romário (28%).

Maioria dos brasileiros não se lembra em quem votou

Parlamentares receberam uma onda de críticas pelos discursos durante a votação pela abertura do impeachment no último domingo (17), mas dificilmente serão cobrados pelos eleitores nas urnas.

Cerca de três em cada cinco brasileiros não se lembram em quem votaram para senador ou deputado federal, mostra a pesquisa Ipsos. Entre os jovens esse número é ainda maior: quatro em cada cinco eleitores entre 18 e 24 anos não se lembram quem escolheram nas urnas para a Câmara Federal e para o Senado.

A desconfiança perante as instituições também está alta entre os brasileiros. De acordo com o levantamento da Ipsos, 78% não confiam nos políticos em geral e 77% desconfiam dos partidos políticos. Seis em cada dez brasileiros não confiam no Congresso Nacional. A instituição com menor nível de desconfiança são as Forças Armadas, com apenas 20% de desconfiança. A pesquisa mostra ainda que os militares têm a confiança de 78% dos entrevistados, sendo que quase metade (41%) afirma confiar muito nas Forças Armadas.

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